Ir aquela casa era animador, especialmente almoçar lá. A comida era bem melhor que a da sua própria casa. Algumas vezes com o bônus especial de um suculento musse de maracujá. Ela fazia cachinhos no cabelo da criança. Era sem graça. A criança não gostava de ficar lá parada, esperando...cachinho por cachinho. Poin poin. Bem, de qualquer forma havia a animação, o calor. O aconchego. De fato, era uma típica relação avó-neta. Nunca houve uma forte relação entre as duas, de qualquer forma, a criança até gostava. Nunca teve do que se queixar da boa avó. Ela costumava ser sorridente. Carrancuda às vezes. Reclamava da ausência das visitas. Fazia doces. Já disse que ela costumava sorrir muito pra garotinha?
Em alguma parte dos anos, entre uma década e outra, talvez. Algo se perdeu. Não tem mais almoço. Os cachinhos da criança se tornaram ondulações, incognitas. Às vezes muito feias, outras até bonitinhas. Não tem mais tantos sorrisos, só o olhar meio vazio e melancólido da avó. Maldizeres eternos. Nas poucas oportunidades de encontro, sobram reclamações pela ausência. Comparações. Mais Maldizeres. Poderia ser porque a criança cresceu, talvez...não é. Os novos netos também não têm musses de maracujá. Ela está cansada. Olhar vazio ao dar a benção. É a depressão, dizem. Acabou o musse.
4 comentários:
O tempo passa, as coisas podem até perder o brilho mas o singificado que representaram e as lembranças que deixaram são magnificos.
Beijos
Ain... Que triste!
Mas o importante é saber que existiu e que as lembranças vão continuar aí com você!
As pessoas mudam, o tempo passa, as coisas mudam!
O texto ficou muito lindo!!!
bjO
Ah, que triste uu'
Poxa, para mim Avó é tudo de bom.
tudo mesmo.
Se você parar para conversar com ela
fica encantada com as coisas que aprende.
beijos.
Oiieee!!
tudo bem??
Vi o seu blog na comunidade do Blogspot & Wordpress no Orkut e gostei bastante! ^^
Sorte e sucesso para você!
Convido-te para passar no meu também:
www.glamourfeminino.blogspot.com
Beijão!
Postar um comentário